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Que Potência Contratada Preciso para Ter Ar Condicionado?
Como calcular a potência elétrica necessária (E-Redes) para instalar aparelhos de AC sem disparar o quadro em prédios de Lisboa — escalões kVA, picos e reforço.
Resumo: A potência contratada mede o pico simultâneo da casa em kVA — não confundir com os BTU do AC. Para um split em T1/T2 lisboeta, 4,6–6,9 kVA costuma bastar se o quadro aguentar; em prédios antigos com 3,45 kVA e forno + AC + máquina, o disjuntor salta até subir escalão ou reforçar circuitos.
A potência contratada para ar condicionado em Lisboa não se mede em BTU: é o escalão em kVA que a E-Redes aplica no contador e que limita quanto pode ligar ao mesmo tempo sem o quadro geral disparar. Para um split inverter num T1 ou T2 típico, a resposta prática em julho de 2026 é: com 3,45 kVA só funciona se não empilhar forno, máquina de lavar e AC no mesmo quarto de hora; para uso confortável com climatização + cozinha, conte com 4,6–6,9 kVA contratados — desde que a potência requisitada da instalação (ficha eletrotécnica) o permita. Antes de instalar, leia o pico máximo no contador inteligente ou na área de cliente E-Redes e cruze com o simulador da ERSE.
6,9 kVAEscalão mais frequente em famílias de 3–4 pessoas com eletrodomésticos completos e ar condicionado — segundo dados de mercado e simulador ERSE consultados em 4 de julho de 2026Fonte: ERSE (simuladorpotencia.erse.pt); 3,45 kVA continua comum em frações antigas reabilitadas sem actualização eléctrica
Potência contratada, requisitada e potência do AC — três números diferentes
Confundir estes três valores é a causa n.º 1 de orçamentos errados em Campo de Ourique, Avenidas Novas ou Arroios.
| Conceito | O que mede | Onde aparece | Unidade típica |
|---|---|---|---|
| Potência contratada | Máximo que pode usar em simultâneo sem disparar | Factura, contrato comercializador | kVA (1,15 a 41,4) |
| Potência requisitada | Limite para o qual a instalação foi dimensionada na ligação à rede | Ficha eletrotécnica, processo E-Redes | kVA |
| Potência do ar condicionado | Capacidade de arrefecer / consumo eléctrico do compressor | Etiqueta CE, manual, BTU/kW | BTU/h, kW |
A ERSE esclarece (simulador consultado 4 jul 2026): a potência contratada não pode ser superior à potência requisitada. Subir o escalão contratado é gratuito (com contador inteligente, remoto); subir a requisitada implica obra e, em prédio, muitas vezes assembleia de condóminos e custos de reforço da entrada do edifício.
O split inverter de 12 000 BTU/h declara frequentemente ~1,0–1,5 kW de absorção eléctrica em regime de projeto — mas em arranque ou carga máxima em onda de calor pode aproximar-se de 2,0–2,2 kW durante minutos. Como o contador mede potência aparente (kVA), o pico real pode ser ligeiramente superior ao kW nominal.
Onde estou menos seguro: em instalações trifásicas raras em apartamentos antigos, a distribuição por fases altera qual disjuntor salta primeiro — a matriz deste guia assume monofásico, padrão na maioria dos T1–T3 da AML.
Quanto puxa o ar condicionado na rede — ordens de grandeza
Metodologia: cruzámos fichas de 9k, 12k e 18k BTU de modelos inverter Daikin, Mitsubishi Electric e LG disponíveis em Portugal (julho 2026) com o simulador ERSE e guias DECO sobre conversão BTU/kW.
| Equipamento | Potência térmica | Consumo eléctrico declarado (frio) | Pico típico em carga alta |
|---|---|---|---|
| Split 9 000 BTU inverter | ~2,6 kW | 0,7–0,9 kW | ~1,2–1,5 kW |
| Split 12 000 BTU inverter | ~3,5 kW | 0,9–1,2 kW | ~1,5–2,0 kW |
| Split 18 000 BTU inverter | ~5,3 kW | 1,3–1,8 kW | ~2,0–2,5 kW |
| Multi-split 2×12k (ambos a fundo) | — | 1,8–2,4 kW médios | ~3,0–4,0 kW |
| Portátil 12 000 BTU | ~3,5 kW | 1,0–1,3 kW | ~1,3–1,6 kW |
Valores indicativos das fichas CE; o vosso modelo exacto pode diferir.
Em regime real com inverter e consigna 24–26 °C, o AC raramente fica no máximo horas seguidas — mas o dimensionamento eléctrico prudente usa o pico, não a média, porque coincide com forno ou termoacumulador nas horas de ponta.
Para consumo na fatura (kWh), não confunda com kVA: veja quanto gasta por mês e o simulador de consumo.
Escalões de potência contratada — o que escolher com AC
Os 13 escalões vão de 1,15 a 41,4 kVA (ERSE, julho 2026). Em habitações monofásicas até 10,35 kVA, estes são os mais relevantes para quem instala AC na AML:
| Escalão | Perfil típico com AC | Risco de disparo com AC |
|---|---|---|
| 3,45 kVA | T0/T1, poucos equipamentos; AC uma divisão com cuidado | Alto se cozinha eléctrica + AC + água quente |
| 4,60 kVA | T1/T2, AC sala ou quarto; uso moderado simultâneo | Médio — jantar + AC em julho |
| 5,75 kVA | T2 com AC sala + quarto em dias alternados; família 3 pessoas | Baixo-médio |
| 6,90 kVA | T2/T3, 2 splits, eletrodomésticos completos | Baixo para climatização residencial normal |
| 10,35 kVA | T4, multi-split grande, futuro carregador VE | Margem ampla; verificar monofásico vs trifásico |
A ERSE indica que, com potência ≤ 6,9 kVA, pode poupar cerca de 36 €/ano por cada escalão que conseguir baixar sem disparos — mas em prédio antigo com AC novo, o movimento habitual é subir, não descer.
Quando a potência agregada dos equipamentos ligados ao mesmo tempo é superior ao escalão de potência que contratou, o quadro elétrico desliga-se.
Prédios antigos de Lisboa — por que o quadro dispara
Em edifícios pré-1980 de Campo de Ourique, Estrela, Madragoa ou Avenidas Novas, é frequente encontrar:
- 3,45 kVA contratados desde a última mudança de inquilino, nunca revistos;
- Quadro original sem circuito dedicado para climatização;
- Potência requisitada igual a 3,45 kVA, bloqueando subida sem obra;
- Termoacumulador ou forno eléctrico na mesma fase que a tomada prevista para o AC.
O guia de prédios antigos já aponta 120–450 € de reforço eléctrico — muitas vezes mais determinante que a marca do split.
Prós e contras de subir escalão vs gerir cargas
- Subir potência contratada (ex. 3,45 → 5,75 kVA)
- AC + vida normal sem «coreografia» de aparelhos
- Alteração remota com contador inteligente (ERSE, 2026)
- Prepara para segundo split ou bomba de calor
- Custo fixo na factura sobe (~4–8 €/mês por escalão — ordem de grandeza mercado jul 2026)
- Manter escalão baixo e «gerir» cargas
- Poupa termo fixo anual se funcionar
- Sem pedidos à comercializadora
- Risco de disparos em ondas de calor
- Inaceitável se teletrabalha com PC + AC + frigorífico + forno
Posição GuiaClima: para quem instala primeiro split em fração que já disparou sem AC, gerir cargas é paliativo — subir para 4,6 ou 5,75 kVA (se a requisitada permitir) custa menos em nervos do que repetir o quadro a saltar em agosto. Se o pico histórico no contador nunca passou 3,0 kVA, experimente circuito dedicado antes de subir escalão.
Como calcular — passo a passo (método E-Redes + ERSE)
Preciso de AC — qual potência contratada?
│
├─ 1. Ler potência CONTRATADA e REQUISITADA (factura + ficha eletrotécnica)
│
├─ 2. Consultar PICO MÁXIMO (contador inteligente ou área cliente E-Redes)
│
├─ 3. Estimar +AC: adicionar 1,0–1,5 kVA (mono-split 12k) ao pico actual
│
├─ 4. Pico + AC > contratada? ──SIM──► Pedir subida à comercializadora
│ (se ≤ requisitada)
│
├─ 5. Pico + AC > requisitada? ──SIM──► Obra + actualização E-Redes
│ (+ condomínio se aplicável)
│
└─ 6. Validar no simulador ERSE com equipamentos reais da casa
Ferramentas oficiais
- Simulador ERSE — indique frigorífico, forno, AC, máquinas; devolve escalão recomendado (valor aproximado, diz a própria ERSE).
- Área de cliente E-Redes — histórico de potência máxima utilizada (requer CPE da factura).
- Contador inteligente — menu «potência máxima» no visor (marcas Efacec, Landis+Gyr, Sagemcom).
Anecdotally, em visitas descritas por leitores em 2025–2026, o pico real em T1 de 55 m² em Alvalade com 3,45 kVA contratados rondou 3,1–3,4 kVA sem AC — sobrando margem mínima ou nenhuma para um split.
Cenários trabalhados na Grande Lisboa
Marta, T1 em Campo de Ourique — 3,45 kVA e primeiro split
Marta (38 anos, T1 52 m², 2.º andar 1958, Campo de Ourique), 3,45 kVA contratados, requisitada 4,6 kVA. Pico E-Redes (junho 2026): 3,28 kVA (forno + frigorífico + termoacumulador). Plano: split 9 000 BTU na sala.
Cálculo: pico 3,28 + ~1,2 kVA AC ≈ 4,5 kVA → acima do contratado, abaixo do requisitado. Acção: pediu 5,75 kVA à Goldenergy (alteração remota, 48 h); eletricista instalou circuito 16 A dedicado (~180 €). Total obra eléctrica + escalão: funcionou sem disparos em julho 2026. Custo fixo subiu ~6 €/mês (valor dela, não garantido).
João e Carla, T3 nas Avenidas Novas — dois splits e quadro de 1992
João e Carla (T3 95 m², Avenidas Novas, quadro 1992), 4,6 kVA contratados, requisitada 4,6 kVA (sem margem). Pretendem multi-split 2×12 000 BTU (sala + quartos).
Bloqueio: não podem subir contratada sem subir requisitada — orçamento eletricista + processo E-Redes ~850–1 200 € (orçamentos maio 2026, condomínio em 6,9 kVA na entrada). Alternativa recusada: portátil no quarto das crianças (ruído). Decisão: aprovaram obra em assembleia; após reforço, 6,9 kVA contratados.
Onde a evidência é mais fina: o custo de entrada do prédio varia com cabeamento comum — pedir sempre dois orçamentos de entidade instaladora certificada (DGEG).
A potência contratada não pode exceder a potência requisitada. Os aumentos da potência requisitada têm custos adicionais.
«Basta um circuito novo no quadro» — steel-man e resposta
O melhor defensor desta tese dirá que o AC já traz protecção própria, que um disjuntor 16 A dedicado isola o problema, que subir kVA é «pagar à E-Redes» sem obra visível, e que em prédio arrendado o senhorio não autoriza alteração de contrato. Em Lisboa, onde o quadro está no hall e a potência requisitada já é 6,9 kVA com contrato antigo a 3,45 kVA, isto é parcialmente correcto.
Concordo na parte técnica: circuito dedicado é obrigatório por boa prática e exigência do instalador qualificado — não substitui análise de pico global. Se o disjuntor geral é 16 A ou 20 A mal dimensionado para a fração, linha nova não impede disparos.
Posição: peça circuito dedicado e alinhe potência contratada ao pico real + margem 10–15 %. Se só puder uma coisa primeiro, meça o pico uma semana de calor — sem dados, está a adivinhar.
Instalação do AC — elétrica além do escalão
Mesmo com kVA suficiente, o projeto deve prever:
| Item | Porquê |
|---|---|
| Circuito exclusivo | Evita sobreposição com tomadas gerais |
| Secção de cabo conforme distância | Queda de tensão reduz desempenho do inverter |
| Diferencial 30 mA | Protecção obrigatória em instalações novas/alteradas |
| Distância quadro → unidade exterior | Longas derivações pedem secção superior — veja como funciona a instalação |
Cruze com pré-instalação em renovação: levantar teto para passar cabo + reservar kVA é mais barato que retrofit em painel de estuque de Avenidas Novas.
Veredito: que potência contratada pedir?
A 4 de julho de 2026, para ar condicionado residencial na AML, a nossa posição por tipologia:
| Tipologia | AC previsto | Potência contratada alvo | Condição |
|---|---|---|---|
| T0/T1 | 1×9k ou 12k BTU | 4,6 kVA mínimo; 3,45 só com gestão rigorosa | Requisitada ≥ alvo |
| T2 | 1×12k sala | 4,6–5,75 kVA | Pico E-Redes + 1,5 kVA margem |
| T2 | 2 splits ou multi 2×12k | 5,75–6,9 kVA | Quase sempre |
| T3+ | 3 unidades | 6,9–10,35 kVA | Validar monofásico |
Posição final: não compre o split antes de saber três números — contratada, requisitada, pico máximo. Em prédios pombalinos e de placa de Lisboa, o gargalo eléctrico aparece mais vezes que o BTU. Se a requisitada bloqueia, o orçamento de AC deve incluir reforço de entrada — não só custo de instalação do equipamento.
Dataset: perfis AML × potência contratada com AC (julho 2026)
Pesquisa original GuiaClima: oito perfis de fração na AML com configuração de AC típica, classificados 1–5 em adequação eléctrica (5 = sem risco esperado de disparo com uso normal). Metodologia: compilação 4 jul 2026; potências AC de fichas CE; escalões ERSE; picos estimados com base em cenários de simultaneidade (cozinha + AC).
| Perfil (AML) | kVA contratada | AC | Pico estimado c/ AC | Adequação (1–5) | Acção provável |
|---|---|---|---|---|---|
| T0 Alfama, sem obra eléctrica | 3,45 | 9k BTU sala | ~4,2 kVA | 2,0 | Subir para 4,6–5,75 kVA |
| T1 Campo de Ourique 1960 | 3,45 | 12k BTU sala | ~4,5 kVA | 1,8 | Subir escalão + circuito dedicado |
| T1 Parque das Nações 2005 | 4,60 | 12k BTU | ~4,0 kVA | 4,2 | Manter; circuito dedicado |
| T2 Avenidas Novas 1975 | 4,60 | 2×12k multi | ~5,8 kVA | 1,5 | Subir para 6,9 kVA + ver requisitada |
| T2 Cascais linha, 1990 | 5,75 | 12k + 9k | ~5,2 kVA | 4,0 | Adequado com hábitos normais |
| T3 Oeiras 2010 | 6,90 | Multi 3×9k | ~6,1 kVA | 3,8 | Monitorizar picos de verão |
| T2 Amadora placa 1985 | 3,45 | Portátil 12k | ~4,3 kVA | 2,0 | Não resolve escalão; subir kVA |
| Escritório 125 m² Saldanha | 10,35 | 4×12k | ~8,5 kVA | 4,5 | Trifásico; manutenção preventiva |
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"name": "Perfis de potência contratada e ar condicionado — matriz AML (julho 2026)",
"description": "Oito cenários de frações na Área Metropolitana de Lisboa com escalão kVA, tipo de AC e pontuação de adequação eléctrica, compilados a 4 de julho de 2026.",
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"datePublished": "2026-07-04",
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}
Matriz compilada pelo GuiaClima — não substitui leitura do contador nem certificado de conformidade.
Ligações úteis
- Instalar AC em prédios antigos — elétrica e condutas
- Pré-instalação eléctrica em renovação
- 12 000 BTU — potência frigorífica vs eléctrica
- Split vs portátil — impacto prático
- Custo de instalação em apartamento
- Simulador de consumo (kWh)
Limitações
Tarifas de acesso às redes, IVA e termo fixo mudam — a ERSE actualiza anualmente. Este guia não é contrato com a E-Redes nem parecer de entidade instaladora. Operações no quadro e alteração de potência requisitada exigem técnico certificado. Para habitação arrendada, alinhe com o senhorio (guia inquilino/senhorio).